Alguns domingos atrás fui procurado por uma irmã da igreja à qual pertenço e onde procuro auxiliar o meu pastor na promoção da mordomia cristã. Essa irmã fora tocada por uma palavra que ouviu em agosto de 2010, em uma breve alocução focalizando o fato de que o dízimo não é uma questão de disponibilidade, nem de contabilidade, mas é uma questão de fidelidade. O dízimo é uma demonstração de fidelidade ao Senhor que tudo nos dá e não visa nenhuma retribuição além da própria fidelidade. Todavia, para a irmã Eurídice era muito difícil conseguir separar os dízimos do Senhor. Suas rendas são provenientes de uma pensão de viúva e das costuras que faz com muita habilidade. De agosto até dezembro, ela teve uma luta pessoal contínua, cada vez mais incomodada pelo desejo que não conseguia realizar, de demonstrar sua fidelidade ao Senhor través dos seus dízimos. Em dezembro, finalmente, ela se armou de coragem e tomou uma decisão: “Este mês, se Deus quiser, vou começar a ser uma dizimista fiel”. Ela calculou criteriosamente os lucros das suas costuras, somou o dízimo da sua pensão e no primeiro domingo de janeiro, dia 2, teve a alegria de preencher o seu envelope e entregá-lo com devoção na alma. Ficou imensamente feliz, como se tivesse vencido uma renhida batalha. Naquela noite dormiu como um anjo. No dia seguinte, dia 3, ela foi participar da assembleia de seu condomínio. Na hora de eleger o síndico, as pessoas que iam sendo indicadas, uma por uma foram recusando a indicação. Um dos presentes se voltou para ela e perguntou se ela não queria ser a síndica do condomínio. Ela jamais pensou nessa hipótese, nem por brincadeira, alegou que não sabia o que era ser síndica, mas depois das explicações dos condôminos, inclusive de que todo o trabalho de cobrar e receber as taxas fazer todos os pagamentos era executado por um escritório contratado, ela aceitou. Foi eleita. Só então ela ficou sabendo que o síndico era isento das taxas condominiais mensais. Imediatamente ela se lembrou do seu dízimo. O valor da taxa do condomínio era maior do que o dízimo que ela havia entregado no domingo! Naturalmente, ela agora vai acrescentar o valor da taxa de condomínio ao total de suas rendas para calcular o dízimo. Segurando no meu braço, concluiu a querida irmã: “Estou muito feliz por poder ser fiel ao meu Senhor”.
Jamais ensinei a doutrina anti-bíblica da retribuição, ou seja, de que o crente deve entregar os seus dízimos a fim de receber as bênçãos do céu. “Você entrega R$ 100 para Deus, Deus lhe devolve R$ 1 mil, dez vezes mais” , é o sentido equivocado dado ao dízimo. Essa doutrina, tão enfatizada pelos pregadores da teologia da prosperidade, uma teologia que não tem nada de bíblica nem de evangélica, nem de teológica, parte de uma interpretação equivocada de Malaquias 3,10, como esclareço no livro “Princípios Bíblicos do Dízimo Cristão”. Deus não promete abrir as janelas do céu e despejar bênçãos “sem medida” por causa dos dízimos do adorador fiel, mas por causa do amor de Deus, como Deus diz no versículo seguinte: “Por amor de vós repreenderei o devorador”. É pelo amor de Deus, não pela fidelidade do crente, que Deus abre as janelas do céu e faz chover sobre os seus amados bênçãos sem medida. A irmã Eurídice não recebeu bênçãos por ter entregado os dízimos do Senhor, mas por causa da graça de Deus. A maior bênção da fidelidade é a bênção de ser fiel, não importa o que venha depois. Mas não podemos ignorar também as promessas tão exaustivamente repetidas nas Escrituras: Deus abençoa o cristão fiel, Deus cuida dele porque Deus é fiel. A ideia de que o crente infiel a Deus é abençoado por Deus é uma ideia tão antibíblica e infeliz quanto a teologia da prosperidade. Você pode até prosperar sem ser fiel nos seus dízimos, mas essa prosperidade será um crescimento apenas material. Espiritualmente, você não crescerá se for infiel. Seja fiel porque Deus é fiel.

Entre em contato

Praça Caixeiros Viajantes S/N - Centro
Vitória da Conquista - Bahia
Fone/Fax: (77) 3424-6596
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.