Crente Meia-BocaVocê é um crente meia-boca?
A expressão “meia-boca” já é muito popular e significa que algo não é o que deveria ser. Ou seja, meia-boca é aquela coisa mais ou menos, que não chega exatamente onde precisava chegar – fica pelo caminho, do jeito que der já está bom. Meia-boca também pode ser aquilo que é conveniente, que se deixa estar para ver no que vai dar. Tem muita gente meia-boca por aí. É aquele empregado que não cumpre todas as tarefas de sua jornada de trabalho. Ou o estudante que não se empenha por melhorar suas notas e decora apenas o necessário para ficar na média. Amigo meia-boca é aquele para quem amizade não é nada além de um convívio eventual, geralmente em situações de festa e alegria. Na hora do “vamos ver”, ele pula fora, pois não é otário de ficar resolvendo problemas dos outros.  
Pior é o crente meia-boca. Você já deve ter visto um – ou vários. Crente meia-boca é aquele para quem a fé é uma questão de conforto e conveniência. Crente meia-boca é aquele que faz rolo nos negócios, dá jeitinho, molha a mão do guarda. Para ele, cristianismo resume-se a mero hábito dominical. Ele vai na igreja, canta os hinos, ouve as mensagens, até ora, mas saindo dali nada muda em sua vida.
Se as coisas não dão certo, é só tentar fazer Deus dar um jeitinho na situação. Ser crente meia-boca não custa mais do que a pessoa tem, pois é só dar a oferta, seja em dinheiro, seja em penitência ou jejuns, que a vontade de Deus será dobrada. Mas ele mesmo nunca é dobrado pelo Senhor. Enfim, ser crente meia-boca é viver uma existência desinteressante, onde não existe motivação, iniciativa ou desejo de mudança.
Mas ser crente por inteiro custa tudo o que você é ou tem. Envolve uma total entrega da vida a Deus, total abnegação. “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo”, disse Jesus, conforme o registro do evangelho de Lucas. O texto começa com uma condicional – “se” ; logo, é opção. Depois, vem a entrega, negando-se a si mesmo, ou seja, devolvendo a Deus o que é dele: a própria vida.
Tomar a cruz e seguir a Jesus significa seguir o mesmo caminho em que ele trilhou – entregando a sua vida no Calvário. Ele crucificou o seu eu. “Cada dia” indica que o negar-se e o seguir a Jesus é um estilo de vida. Mas tudo não se encerrou com a morte de Cristo; aliás, nosso cristianismo contemporâneo é pobre porque pregamos um Cristo crucificado e esquecemos de sua ressurreição, pela qual ele foi declarado Filho de Deus (Romanos 1.4). O caminho da cruz não parou no Calvário; não terminou no sepulcro, mas prosseguiu até que ele ressurgisse dentre os mortos. Ser crente integral é isso mesmo, ter uma vida crucificada para os desejos pessoais e ressuscitada num novo projeto de vida dentro dos princípios éticos divinos. É como voltar ao Éden, ser novamente dependente de Deus para suas decisões e escolhas diárias. É ter consciência de que a vida é mais do que fazer com que as coisas andem do nosso jeito – é ter esperança mesmo diante do sofrimento. É ser sábio no exercício da liberdade que Deus nos devolve, vivendo uma vida digna e que glorifique o Senhor.

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