Assumir, manter e respeitar compromisso, a cada dia que passa, está se tornando algo raro. A sociedade individualista gerou pessoas sem compromisso. Não assumem, não gostam e não cumprem os compromissos propostos. Ninguém é responsável por coisa alguma, embora todos cobrem responsabilidade de todos. O resultado se revela desastroso em todas as áreas da vida, gerando infelicidade generalizada.
A família é a vítima fatal da falta de compromisso. O pai não aparece na hora em que o bebê é jogado no latão de lixo. A mãe, por sua vez, por não ter certeza de quem é o verdadeiro pai, não se compromete a apontá-lo. Sobra para o Estado, que sem compromisso e mal aparelhado, tenta encontrar alguém que adote o abandonado. O casamento não serve mais como garantia de que o “até que a morte nos separe” funcione. Vale a união estável, isto é: estável até que os meus interesses não sejam confrontados.  
Os contratos, embora firmados em cartórios, com o devido e caríssimo reconhecimento de firmas, não garante o objeto do pacto em si. Razão porque se apõe ao final do mesmo a frase:“As partes elegem o foro da cidade tal para dirimir dúvidas ou pendências”. As partes contratadas sabem por antecedência que uma delas pode não cumprir o que se pactuou.
Na política, os partidos e os políticos não cumprem o contratado. Muda-se de sigla mediante os interesses pessoais. Há pouco, um dos partidos que dava base à governabilidade rompeu com o pactuado só porque os interesses pessoais de alguns não foram contemplados e alguns cargos foram perdidos. Pouco importa os interesses e o bem-estar do povo que elegeu tais políticos. O que foi prometido em discursos de campanha nada vale. Não há compromisso com a verdade.
Na medicina, o jovem médico se compromete a cumprir o juramento de Hipócrates. Mas depois o doente morre na porta do hospital por não ter convênio. Afinal, Hipócrates viveu antes de Cristo.
Na teologia e doutrina não é diferente. O pastor assume a igreja como batista. Assina ata de posse e, em alguns casos, um compromisso de fidelidade doutrinária e cooperativa com a denominação. Uma vez empossado, apossa–se da igreja e do rebanho e começa a fazer modificações. Corta a assinatura de O Jornal Batista. Diminui o percentual ou quase sempre deixa de contribuir com o Plano Cooperativo da denominação. Elimina as ofertas missionárias.
Tudo isso feito sob a necessidade ou alegação de economizar o dinheiro da igreja. É claro que no bojo vem a proposta de melhoria dos salários do pastor e seus auxiliares que “apascentam” o rebanho. Quando questionado, argumenta que a máquina da denominação é emperrada. que os gastos são exorbitantes e que assim não compensa cooperar. Embora tenha recebido da denominação o preparo, joga tudo no limbo da não participação. Algumas ovelhas mais esclarecidas deixam de dizimar. Outras buscam outros apriscos e não faltam as que passam a viver sem compromisso. Um pecado sempre gera outros pecados.
Recente pesquisa publicada pelo jornal Folha de São Paulo
(15/8/11), revelou que “cresce o número de evangélicos sem ligações com igrejas”. Pessoas que vão à missa no domingo de manhã e durante a semana frequentam outras igrejas diferentes. Tudo sem compromisso doutrinário. A justificativa é o sentir-se bem em cada lugar, sem se comprometer com a doutrina exposta. Doutrina não importa. Importante é estar bem. A pesquisa não entrou no mundo das mega-igrejas com seus milhares de membros, mas que na verdade só a décima parte é fiel. Os pastores se ufanam de ter no rol mais de cinco mil nomes. Não conhecem nem quinhentos, e destes um pequeno grupo sustenta o “ministério”. Alguns mantêm o nome batista, mas de batista nada possuem. Não há compromisso. Vale o show ou a celebração. Celebra-se o culto ao individuo e ao ego do líder.
Alguns frequentadores comparecem porque gostam “do pastor que fala uma língua meio doida”, testemunha uma das entrevistadas. Salvação, perdão dos pecados, arrependimento, santificação, vida de testemunho não contam do cardápio espiritual de tais pessoas. Inexiste compromisso com as verdades ensinadas por Jesus.
O Diabo é sagaz. Antes perseguia os salvos. Não deu resultado. Agora o inimigo ajunta tudo no mesmo caldeirão de heresias e futilidades e faz o seu ensopado religioso.
Quão diferente é a proposta de Jesus para os verdadeiros cristãos. “Se alguém quer vir a mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23). Evangélicos ou cristãos descompromissados são aberrações. Cristianismo sem cruz, sem compromisso, sem fidelidade absoluta, significa caminho certo para a perdição eterna. Jesus exige compromisso.
Pr. Julio Oliveira Sanches
O J. Batista, 04/09/11

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