cuco

O cuco é uma ave típica da Europa, conhecida pelo seu canto estridente, que pode ser ouvido a um quilômetro de distância e que anuncia a chegada da primavera. Os cucos emigram para o norte da África no inverno e retornam com o advento da primavera. Na sexta sinfonia de Beethoven, há um momento em que os moradores da vila caminham até o bosque e ficam em silêncio para ouvir o cuco. Ao ouvir o seu canto, o povaréu prorrompe em gritos, danças e abraços saudando a chegada da estação das flores. O inverno passou, é hora de começar a plantar a vida nos campos até então cobertos de neve.

Não se iluda, porém, com o romantismo dos acordes da pastoral de Beethoven. O cuco é uma ave parasitária, que nada tem de romântico no seu cotidiano. Ele não constrói seu ninho como todas as aves, mas a fêmea põe os seus ovos nos ninhos de outros pássaros, tomando o cuidado de jogar no chão um dos ovos ou mesmo um dos filhotes já nascidos, para que os donos do ninho não desconfiem que sua casa foi invadida. O ovo do cuco leva doze dias sendo chocado e quando nasce, o filhote joga no chão os ovos ou as crias dos donos do ninho, passando a receber todas as atenções e alimentos dos pais adotivos. As aves cujo ninho foi invadido se desdobram para poderem alimentar o exigente filhote do cuco. Uma fêmea de cuco pode invadir vários ninhos alheios para depositar seus ovos, jamais colocando dois ovos no mesmo ninho porque ela sabe que se o fizer, um dos seus filhotes será expulso do ninho pelo outro.
Ao ler sobre esses hábitos do cuco, logo me lembrei de que há, em nossas igrejas, muitos crentes que não constroem seus próprios ninhos espirituais, não são dizimistas, mas se aproveitam da fidelidade dos outros. Esperam que outros paguem as contas de água e luz para que eles tenham a sua aguinha gelada no verão; outros irmãos pagam o salário do pastor para que eles possam ter assistência espiritual; outros que paguem as despesas de zeladoria para que eles tenham bancos limpos onde sentar-se para assistir aos cultos. Não raro, esses crentes são os mais críticos e exigentes na administração do dinheiro da igreja. Em certa igreja, a equipe de louvor criou a maior quizumba na assembleia, exigindo que fosse aprovada a compra de novos instrumentos musicais. O tesoureiro da igreja, irmão muito respeitado, pediu a palavra e informou à igreja que até aquela data, nenhum dos componentes da equipe contribuía com um centavo sequer para o sustento da igreja. Eram os cucos de plantão, aves parasitas, querendo pôr seus ovinhos no ninho construído pelos outros. Um deles ainda argumentou dizendo que eles já estavam dando o seu trabalho de graça para a igreja, mas o tesoureiro sabiamente lembrou que os professores da EBD trabalhavam para a igreja como voluntários sem nada exigir senão a satisfação de poderem trabalhar para Deus.

Na minha longa jornada denominacional, conheci "pastores cucos", que invadiram ninhos já construídos para ali botarem os seus ideais ministeriais, muitas vezes jogando fora os filhotes que lá encontraram. Sem exceção, porém, esses ministérios invasores não prosperam porque, como dizia o querido irmão Rubens Freitas, "Tudo o que começa ruco-ruco, acaba truco-truco". O problema não é novo, como podemos ler em Romanos 15.20, onde Paulo diz, em outros termos, que não quer ser um "missionário cuco", edificando sobre fundamento alheio.

O canto do cuco anuncia a chegada do tempo de alegrar-se, pois o gelo acabou e aí vem o verão. Aliás, o nome "primavera" vem do latim e significa "primeiro verão". É o começo de uma época de luz, calor e festas, antes do outono, tempo de colher e aproveitar o que se plantou. O meu desejo é que não haja entre os meus leitores, nenhum "crente cuco" e nenhum "pastor cuco", mas que todos sejam operosos em construir seus próprios ninhos, onde depositem os seus sonhos para o Reino de Deus.

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