“Mas Carol, tu é burra!”, ouvi no aeroporto de Fortaleza, na espera do voo para Natal. O cidadão falou quase uma hora ao celular (que boa bateria!), brigando com seus funcionários. Tadinha da Carol! O consolo é que o grosso também agredia o português. “Tu é” é ignorância. O certo é “tu és”. Rude com a Carol e com o idioma. Mas dava-se ares de importância. A mãe brigava ao celular com a família: não levou Toinho ao veterinário.

Que seria o Toinho? Gato, cachorro, lagarto? Dengosa, Chuchuca dizia a Docinho que chegaria para almoçar com ele (o amor é lindo!). O celular fez as pessoas perderem a privacidade e o pudor. Contam suas vidas aos berros, em locais públicos. E perderam a classe. Celulares tocam em aulas, funerais, concertos, cultos, etc. A carência leva a pessoa a abrir mão da privacidade. Todos devem saber que ela é a Chuchuca do Docinho.
As pessoas se exibem também na internet. Postam tudo que fazem, onde e com quem dormem, e , se criticadas, bradam: “Ninguém tem nada com a minha vida!”. Ora, não a publiquem! Guardem-na!
Gente emocionalmente carente gosta de receber atenção. É insegura e, por vezes, uma bomba emocional. Para sobreviver, requer atenção a qualquer preço. Num programa de televisão tipo “mundo cão”, um sujeito contava com alegria que sua esposa fugira com seu irmão. Traído, mas feliz: era foco de atenção! Mas um cristão sabe de seu valor. Tem noção de quem é. É sensato e se cuida. É simples como a pomba e prudente como a serpente. Não se orgulha de suas falhas. Lamenta-se e tenta superá-las. As pessoas reclamam quando as outras não lhes dão destaque nem reconhecimento. Querem que os outros tenham a ver com sua vida. Mas quando estão em pecado ninguém tem nada a ver com sua vida. Um cristão deve ser maduro. Não pode dizer: “Ninguém tem nada a ver com minha vida”. Porque todos têm. A vida cristã é mutualidade, aconselhamento e parceria espiritual.
Muitos que se queixam de falta de atenção não dão atenção a ninguém. Queixam-se de falta de amor, mas não o mostram no trato com outros. Quando erradas, ninguém tem nada a ver com sua vida. Mas todos têm a ver com suas carências. E elas não têm nada com ninguém. Só se interessam por si.
Quem se põe como centro do seu mundo, acaba fútil e amargo. Quem cultua seu EU põe Deus na rabeira da vida e deixa de fazer bons amigos. E perde os que consegue. Porque só se interessa por si. O cristão maduro se doa, serve, busca ser útil. Aí, seguro e realizado, não ofende a Carol nem alardeia para todos que é a Chuchuca. Não clama por atenção. Ele a tem. Quem ama é amado. Abra-se para os outros e sua vida mudará. Você não precisará falar aos gritos, exibindo-se e pedindo atenção. Será maduro, sensato e realizado.

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
O Jornal Batista - 06/05/12

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