Depois de ler alguns comentários a respeito de um vídeo bastante popular na internet, senti-me impulsionado a assisti-lo. Apresentado pelo mestre Luiz Sayão, o vídeo até contém algumas coisas interessantes, mas de modo geral é um bocado triste. Eis aqui a transcrição de um dos trechos que mais me chamou a atenção: “O mundo pós-moderno é um mundo marcado pela realidade da arte. A arte se torna uma das principais expressões de conteúdo  do mundo contemporâneo. Como é que as pessoas adquirem ideologia hoje? Através de música popular, através de novelas, de filmes, de elementos que envolvem a arte, portanto, o que se canta, o que fazemos dentro da realidade litúrgica da igreja É A PRINCIPAL MANEIRA  de expressar conteúdo e de ensinar”.

 

Que tristeza. No entanto, e infelizmente, esta é uma lógica que vem prevalecendo dentro das “igrejas pós-modernas”. A pregação perde cada vez mais espaço para os shows-gospel, que agora já são realizados inclusive durante os cultos, shows estes em que músicas intermináveis, com estribilhos repetitivos e enfadonhos, são a tônica dominante. A palavra é passada ao pastor quando a congregação (ou seria plateia?) já está exausta e indisposta para ouvir. Meia hora de pregação já é motivo de muxoxos. E aí, voltam os “levitas” e tome mais dois “corinhos” grudentos para terminar a noite em grande estilo. Deste jeito, vamos acabar por ter que reescrever o versículo 17 de Romanos 19: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir... pelo louvor”. Que saudades do  velho e bom Spurgeon.

No vídeo citado, o mestre Sayão criticou também a excessiva erudição dos antigos hinos. Ora, se as letras são boas, mas incompreensíveis aos mal-educados (mal educado no sentido de aquisição de conhecimento e não de comportamento social), compete aos mais letrados contribuir, com sabedoria no trato, para o melhoramento cultural desses irmãos. Se uma parte do povo de Deus é ignorante (ignorante no sentido de ignorar conteúdos e não de ser grosseiro), compete à igreja ensiná-los. Infelizmente não é isso que vem acontecendo. Ao invés de levar os menos letrados a patamares mais elevados, rebaixa-se nível desses para que melhor sejam compreendidos.

Cá com meu botões eu me pergunto se o anacronismo está nas letras rebuscadas dos hinos de ontem ou na pobreza cultural dos crentes de hoje. Se assim for, o que devemos fazer então? Deixar de lado a imensa herança espiritual dos autores de outrora e valorizar apenas os artistas de hoje? Como cantar o repertório antiquado e de palavreado difícil de uma tal Fanny Crosby se ela nem foi indicada para o Troféu Promessas da Rede Globo?

Bem, a respeito das dificuldades na interpretação dos textos dos hinos, posso responder citando o exemplo da minha casa, onde tenho uma filha de 12 anos e um filho de 8. Nunca lhes apliquei testes de QI e minha intuição – de pai consciente e  não utopista – me leva a crer que nenhum dos dois é super-dotado. No entanto, ambos sabem “se da vida as vagas procelosas são” eles não devem temer as dificuldades, mas sim contar as bênçãos para verem quantas coisas boas nosso Deus já nos proporcionou. E eu investi menos de 5 minutos do meu tempo para lhes explicar “quão procelosas são as vagas” que enfrentamos no dia a dia. Com isso, meus filhos ficaram um pouco mais cultos e o louvor familiar ainda mais rico.



Entre em contato

Praça Caixeiros Viajantes S/N - Centro
Vitória da Conquista - Bahia
Fone/Fax: (77) 3424-6596
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.