Ele é funcionário público. Conceituado e respeitado pelos colegas na repartição. Na igreja todos o consideram um bom salvo. Na família não há grandes reclamações, e criou e educou os filhos nos caminhos do Senhor. Na denominação é respeitado como exemplo de fidelidade. Mas, sempre há um mas na vida que nos atormenta quando tentamos levar e viver a vida segundo os padrões propostos pela Bíblia. Ninguém é perfeito, ele não o era, e isto o atormentava a cada semana.
Precisava restaurar o testemunho, mas não sabia por onde começar. Afinal era apenas R$ 1 por semana. Não fazia diferença no orçamento, mas atormentava a consciência cristã. Sentia-se humilhado e pequeno ante os colegas. Não que estes o condenassem, mas a consciência cristã do diácono “fiel” o perturbava.


Toda semana os colegas faziam um “bolão”, “uma fezinha” na lotérica. Cada um contribuía com R$ 1. Quando ele não tinha trocado ou tentava se desvencilhar daquela “armadilhazinha de satanás” um dos colegas dava o real necessário para o palpite. Isto o machucava ainda mais. Sofria não pelo real, mas pelo testemunho que estava oferecendo aos companheiros de trabalho. Todos sabiam que “crente” não joga, não participa de “bolos” lotéricos, não toma bebida alcoólica e não pratica outros pequenos atos que denigrem o Evangelho e o testemunho cristão. Fomos ensinados a ser diferentes numa sociedade corrompida e perversa. Somos sal, não importa se apenas um pequeno grão, mas somos sal a salgar. Somos luz a brilhar na escuridão, apontando o caminho para a cruz, para Jesus como único Salvador. Por isso devemos salgar e brilhar onde Deus nos colocou. Pode ser numa grande repartição ou numa guarita silente à entrada de um quartel. Persiste a recomendação de Jesus: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5.16).
Suplicou forças a Deus para se livrar daquele “pecadinho” miserável que tantos males lhe estava causando. Reuniu os colegas e disse-lhes: “Amigos, sabem por que nunca ganhamos? Eu sou o responsável. Vocês não vão ganhar nada enquanto eu estiver no grupo. A partir de hoje considerem-me excluído do grupo para participar do 'bolo'”. Os colegas não entenderam nada. Com sorrisos marotos deixaram a sala. Três semanas depois voltaram. Pulavam de alegria, pois tinham sido sorteados e concluíram: “Você tinha razão. Foi só eliminar o seu nome e ganhamos”. Um sentimento de alívio invadiu o coração do fiel diácono, pois agora podia servir melhor a causa de Cristo. Estava livre do pecado que o acossava há anos. Ninguém desconfiava, mas a sua consciência comprometida com a ação do Espírito Santo não o permitia dar bom testemunho do Evangelho. Agora podia convidar os colegas para comparecerem à igreja, podia falar de Cristo a eles e continuar testemunhando sem ter medo de alguém dizer: “Mas você também faz o mesmo que nos condena”.
O Diabo é sagaz. Ele tenta e consegue ludibriar o salvo que pecado tem tamanho e peso. Alguns pecados são maiores que outros, diz o inimigo. Deus só se preocupa com os grandes pecados que cometemos. Como não somos “grandes pecadores”, não precisamos abandonar aquelas coisinhas que impedem o bom testemunho: Uma mentirinha, um “viciozinho” que ninguém sabe, aqueles pensamentos mal cheirosos que são só nossos, o mau humor, aquele “dízimo” que não é dízimo, o vício de chegar atrasado aos compromissos, aquele “jogozinho” no Dia do Senhor, a leitura da Bíblia só na igreja, o não louvar quando não gostamos do hino, aquela “dividazinha” que nunca é paga, aquele real no bolão com os colegas de trabalho. Assim, de pedacinhos em pedacinhos, somados  a muitos outros pequeninos deslizes, nos afastamos de Cristo, perdemos a alegria da Salvação, não conseguimos testemunhar de Cristo, pois perdemos a unção de Espírito ao entristecê-lo no viver prático.
São os pequeninos pecados que impedem o crescimento da igreja. Eles afastam os pecadores de Cristo, geram mal-estar entre os salvos, machucam a causa de Cristo. Não é fácil se desfazer dos “pecadinhos”, aqueles que ninguém vê, que ninguém conhece, que não “prejudicam” os que nos cercam. Com eles conseguimos viver a máscara de bons pais, filhos, cônjuges, cidadãos, membros da igreja, santos com ar de “consagrados”. Mas no íntimo aquele R$ 1 nos denigre perante o trono do Senhor. Deus nos convida a desistir do R$ 1 da “sorte”, que é maldição na Causa.

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