QUANDO A MÃE ENVELHECEREla chegou desconfiada. Desejava visitar o Pastor e desabafar. Mora só e a vida solitária sempre gera a necessidade de compartilhar. Na velhice ainda mais. O velho precisa de alguém que o ouça. As histórias são as mesmas. As lembranças também. Mas para a velhice são importantes, por isso precisam ser repetidas. Como os mais novos não revelam paciência em ouvir os idosos, surge a depressão, o sentimento de que a vida não tem mais sentido e o desejo de morrer. No caso, ela tem família, mas não vive com a família. Os filhos não a visitam. Estão ocupados em busca da sobrevivência e, um velho a mais ou uma velha a menos não faz diferença.

Os netos seguem o exemplo dos pais. Aprenderam cedo a não valorar a velhice. Talvez não fiquem velhos. Os jovens creem que nunca ficarão velhos.  Sobram os bisnetos que também não se preocupam com a bisavó. Os namorados, os noivos, estudos, somados oferecem uma desculpa para ignorar a velhinha carente. Os dias são curtos. As semanas voam. Os anos passam e ninguém se lembra de que há um velho na família esperando por uma visitinha de cinco minutos. Um alô, como está, estamos aqui e nos preocupamos com você. Como o tempo é célere e não espera, lá se vão meses e meses sem comunicação. Como a policia e a mídia ainda não noticiou a morte de uma velha abandonada, ela não morreu ainda. Cabelos por cortar, unhas por fazer, faltando os dentes da frente, tímida, ela sentou-se e começou a falar. Falou do amor ao genro, que a detesta. Gostaria de abraçá-lo e agradecer. Falou da inteligência dos netos. Para ela são verdadeiros gênios. Claro, eles vivem no mundo da tecnologia e ela escreve com dificuldades e lê sem conseguir interpretar o texto. Qualquer um que saiba deletar algo no computador é mais do que gênio. Falou dos bisnetos. Como são lindos e inteligentes. Pena que estão distantes, embora residam na mesma Cidade. Gostaria de abraçá-los, pelo menos uma vez por semana. Mas não há ambiente para  a aproximação. Tudo parece sombrio, distante a conspirar contra suas aspirações. Como seria maravilhoso estar com a família, usufruir o calor e o convívio de um afago amigo. Mas não há como conseguir. Apenas o frio da tumba que se aproxima parece tocar aquele corpo arcado pelos anos, pelas incertezas, pelo trabalho em prol dos filhos, pelos “erros” cometidos, pela pobreza de ser só. Nada o aquece. Tudo é gélido quando o amor está tão perto, mas não temos como fazê-lo funcionar. Tudo conspira contra a vida e os sonhos que tentam emergir dos escombros que foram acumulados ao longo dos anos. Colocou três colheres de açúcar na xícara de café com leite, Mexeu, mexeu, mas não bebeu. O pequeno pedaço de bolo ficou no prato. Não tinha fome, embora nada tivesse comido naquela manhã e já passava das quinze horas. Estava faminta de compaixão, compreensão, amizade, amor, carinho, uma família, um lar, um lugar onde pudesse expressar gratidão, não por suas vitórias, mas pelas vitórias dos seus queridos, que a desprezavam. Em determinado momento seus olhos se tornaram lacrimejantes. Não chorou. Não podia  chorar. Precisava ser forte para suportar a solidão. Oramos e ela partiu. Parecia mais alegre, embora triste. Ao vê-la sair lembrei-me de Provérbios 23:24:, que diz: “Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, QUANDO VIER A ENVELHECER”. Deus se preocupa com a velhice dos seus filhos, por que os filhos não fazem o mesmo com seus pais? A resposta passa por caminhos diversos. Desculpas variadas. Sentimentos jamais explicados. Tem a sua razão de ser, que justifica tais atitudes. Todos têm os seus problemas para não reservar tempo para o ancião ou anciã da família. Mas será que todas as desculpas justificam as ações? Creio que não. Sempre temos tempo para as coisas que nos são importantes. Administramos nosso tempo seguindo as prioridades diárias. Uma pessoa na família é importante, logo não há desculpas para tal proceder. Como justificar o descaso dos filhos aos pais? Como salvos, não temos como justificar. É possível concordar que os netos, salvos por Jesus, sigam o exemplo negativo dos pais? Impossível! O descaso atinge os bisnetos e até parece que todos se regozijam em ser ingratos. O salvo desconhece a ingratidão como forma de vida. Um genro ou uma nora, salvos por Jesus, líderes na causa, tidos como exemplos de fidelidade na Igreja, mas que odeiam a sogra tem respaldo bíblico? Não há como justificá-los. No dizer de Paulo ao escrever a Timóteo: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, principalmente dos da sua família, negou a fé, é pior do que o infiel” I Tm 5:8. Ser infiel é uma tragédia. Ser pior do que o infiel é tragédia irreparável. Mais do que trágico ainda, especialmente quando a pessoa se vangloria de seguir e amar a Cristo. Aqueles que têm idosos na família precisam se arrepender do pecado do abandono, do desprezo, da desculpa da falta de tempo, da ingratidão, do não é comigo; e dar mais carinho aos seus idosos. Eles não pedem muito: apenas um abraço, por semana. Será que isto custa tanto para um salvo por Jesus? Como está o seu idoso? Visite-o e responda. A verdadeira vida em Cristo inclui a mamãe e o papai velhinhos.

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