O grupo de evangelismo de certa igreja estava na praça da cidade com toda a sua aparelhagem de som realizando um evento ao ar livre. Linda iniciativa! Um grupo de jovens, porém, começou o culto com uma série de “louvores” sem qualquer significado para os transeuntes não crentes. Um casal saiu para distribuir folhetos e encontrou, sentado num banco, as pernas cruzadas, um senhor de meia idade, visivelmente bêbado, mas não tão bêbado que não pudesse ter um agudo senso de observação. Erguendo o braço que segurava o folheto recebido do casal na direção do grupo de cantores, o bêbado falou. Sem o saber, disse algo que os nossos evangelistas, músicos e cantores deveriam conhecer com toda sobriedade. Disse o bêbado:
- Aquelas moças ficam ali cantando músicas sem pé nem cabeça, que a gente não entende. Por que não cantam “Foi na cruz?”. Aquela sim, era música que tocava o coração da gente.
No caso do nosso personagem, o “toque no coração” parece não ter mudado sua vida, o que não tira a razão da sua queixa.
Bons tempos aqueles quando os hinos cantados em nossas igrejas tangiam a alma dos pecadores tanto pela beleza das melodias que fluíam com naturalidade, quanto pelas letras que tinham qualidade literária, consistência de doutrina e exprimiam os impulsos de amor da alma salva na direção dos pecadores. Os “louvores” de hoje, em sua maioria, não parecem partir de corações ungidos pela vivência no Espírito. São amontoados de frases de efeito ajeitadas em melodias fragmentadas, sem coerência rítmica, sem continuidade. O maior problema, porém, não está na pobreza das melodias nem na inconsistência literária, mas na teologia. Naquele tempo quando se cantava “Foi na cruz”, “Manso e Suave”, “Oh vinde a Jesus”, predominava a teologia da evangelização na alma e no púlpito das igrejas. A prioridade dos salvos era produzir mais salvos. A ênfase teológica mudou. A geração atual de cristãos vive uma teologia de exaltação a Cristo, mas não faz parte dessa teologia a paixão pelos perdidos que o Cristo por eles exaltado quer salvar. Exalta-se a Cristo, mas sem refletir o seu amor. Muitos cânticos são apenas letras adaptadas de textos bíblicos, que servem mais para gingar do que para pensar no que está sendo cantado. Justiça se faça: Há cânticos atuais que possuem lindas melodias, doces acordes que calham bem na alma de quem canta e de quem ouve, mas estes também raramente visam ganhar pecadores para Cristo, o que deveria ser a nossa prioridade como cristãos e como igrejas. Por que cantar num culto evangelístico no templo ou na praça, músicas que não falam à mente e ao coração do pecador que precisa de salvação? Ou isso não é mais importante para o povo de Deus?
Que Deus fale ao coração dos autores e compositores, como também dos músicos e ministros que escolhem o que vai ser cantado nos cultos nas igrejas e nas praças. Hinos e cânticos precisam reproduzir o amor de Deus, o pensamento de Deus, a busca de Deus pelos pecadores por meio de Cristo, tudo em termos compreensíveis, sem os hermetismos ou linguagem obscura. Estou percebendo, pelas minhas andanças, que há um mover do Espírito na área da música em nossas igrejas. Muitas estão voltando a cantar hinos do HCC, do Cantor Cristão e de outras fontes. Deus seja louvado. Quem sabe vai acabar prevalecendo o bom senso e em breve não teremos mais que ouvir cânticos “sem pé nem cabeça”, mas músicas ungidas pela graça e que glorifiquem a Deus pelos seus efeitos na alma dos pecadores. Hinos e cânticos, antigos ou novos, contanto que tenham graça e beleza, podem continuar levando pecadores a Cristo como aconteceu milhares de vezes no passado.

 

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