Dayse e Jamil era um casal de uma das igrejas que pastoreei. De vez em quando, aprontavam uma briguinha e eu precisava intervir. Jamil era motorista de ônibus e trabalhava em uma empresa que tinha garagem atrás do posto de gasolina mais próximo da minha casa. Numa bela manhã, fui abastecer a Kombi no posto. De repente, vejo o Jamil de calção, sandália nos pés, toalha envolta no pescoço, escova de dentes à mão, caminhando em direção ao banheiro da garagem. Estranhei. “E aí, irmão Jamil; bom dia; tudo bem?” Ele se aproximou e me confidenciou: tinha dormido na garagem, no banco de um ônibus. “Que é isso, irmão? Você tem uma casa tão confortável, perto daqui, uma esposa tão jovem, o que está havendo?” Respondeu-me que não dava mais para suportar as brigas em casa. Ele e Dayse estavam discutindo muito, passando dos limites. Eram oito horas da manhã. Ele ia pegar no serviço ao meio dia. Disse lhe: “Vista sua roupa e venha comigo; vamos conversar lá na sua casa”. Quando chegamos à casa do casal, que ficava na rua da igreja, Dayse nos recebeu com cara de encrenca armada. Mal nos sentamos na sala, ambos começaram a falar em voz alta, ao mesmo tempo, cada um se queixando do outro. Interrompi a discussão e disse o seguinte: “Primeiro quero conversar com vocês sobre os seus vizinhos. Como vocês sabem, eles foram à igreja ontem pela primeira vez e eu achei que o Roberto ficou muito abalado e que a Maura ficou mais perturbada ainda. Não podemos esperar que o diabo chegue primeiro”. Fiz uma pausa e perguntei: “Será que eles estão em casa? Serrá que daria para fazermos uma visita para eles agora? Dayse se levantou e saiu. Voltou em poucos minutos dizendo que o casal estava de saída para fazer compras, mas que nos receberia com muito prazer. Pedi que Jamil e Dayse se munissem de suas Bíblias e rumamos para a casa ao lado.
Havia muito tempo que Dayse, sua mãe e Jamil tentavam levar Roberto e Maura à igreja. Ela era mãe-de-santo e ele, cambono de Ogum. Durante cerca de uma hora e meia, eu, Jamil e Dayse falamos de Jesus ao casal. Lemos várias passagens nas nossas Bíblias, cantamos um hino e terminamos fazendo o apelo para que o casal de macumbeiros aceitasse Jesus. Em lágrimas, primeiro Roberto, depois Maura, ambos disseram  que desde o culto na igreja na noite anterior estavam ouvindo o chamado de Deus. Estavam sentindo que deviam deixar a feitiçaria e entrar no caminho de luz que tinham vislumbrado na igreja. Antes de orarmos, eu me dirigi ao casal de irmãos e lhes entreguei a incumbência de cuidar dos bebês que acabavam de nascer.
Voltamos para a casa de Jamil e Dayse. Sentamos-nos nas cadeiras da sala e eu perguntei: “Do que era mesmo que vocês falavam?” Dayse e Jamil estavam com semblantes completamente mudados. Alegres. Jamil respondeu: “Esquece, pastor” e pediu à esposa para me servir um café. Ela já sabia que eu só tomava café feito na hora. Despejou o café que estava na garrafa térmica na pia e, em poucos minutos, veio com um café forte, cheirando a amor, três copos e o açucareiro. Dosei o açúcar, sorvi o primeiro gole e não pude deixar de exclamar, lembrando uma antiga propaganda: “Êta cafezinho bom”. Ambos entenderam o sentido das minhas palavras e todos começamos a rir. Pedi ao Jamil que apanhasse duas Bíblias na igreja para o casal de vizinhos, indiquei algumas providências que deviam tomar para começar a discipular Roberto e Maura e tratei de deixar o casal a sós, pois o Jamil precisava almoçar para pegar no batente. Uma das coisas que eu disse: “Os irmãos adotem esse casal como filhos espirituais e entendam que nenhuma renúncia pessoal que tenham de fazer será grande demais para ganhá-los”. Maura e Roberto se integraram na igreja, sempre acompanhados por Jamil e Dayse e nunca mais fui chamado para apartar brigas do casal. Nunca mais soube que o Jamil estivesse dormindo nos ônibus.
Muitas brigas entre casais e até separações acontecem por falta de uma motivação para que se dediquem ao trabalho cristão. Muitas  discussões e divisões acontecem nas igrejas que perdem a sua visão missionária. Pastor: Ponha os crentes par testemunhar de Cristo e discipular os novos convertidos. Ensine-os a evangelizar  e quando você perguntar pelos problemas, pelas encrencas, pelas cismas, eles dirão: Esquece, pastor!

 

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