Garganta SecaAssim ficou a garganta do salmista: seca. Afônica. De tanto ele gritar. De tanto ele orar. Orar aos brados:
"Estou cansado de clamar;  secou-se-me a garganta;  os  meus olhos desfalecem, esperando o meu Deus" (Salmos 69:3).
Difícil, senão impossível, determinar com segurança o acontecimento que teria levado o salmista àquela situação de quase desespero. Quando só lhe restou gritar para que Deus o escutasse. Orar convulsivamente. Mesmo ignorando os motivos de sua angústia, não nos custa compreendê-lo porque é comum que nos aconteça o mesmo: premidos pela dor oramos instante­mente. A resposta não vem ou demora a vir. E nós pomos a boca no céu, crispamos as mãos, enrouquecemos. Porque a resposta não vem ou demora a vir.

Isso mesmo: não vem. Como se Deus estivesse surdo. Surdo ou distante, tão distante que não nos pudesse ouvir.
Será que não vem? Mesmo?
Vem. Responder ele responde sempre porque dizer não é responder — ou teremos a veleidade de pretender que Deus sempre nos diga Sim? Mas atender é que nem sempre ele atende. E se não atende é para nosso bem.
Digamos que uma criança peça ao pai um pacote de estricnina para brincar de fazer comidinha: haverá pai que atenda a um pedido como esse? Digamos que alguém peça a Deus aquilo que não passa de um capricho. Ou digamos que o nosso pedido seja uma tolice como a do menino que colocou numa gaveta uma moeda de cobre pedindo a Deus que no dia seguinte ela estivesse transformada numa moeda de ouro.
Digamos ainda que invoquemos o nome de Deus para fulminar com um raio a vida de um inimigo.
Em tais casos não houve atendimento, mas houve audiência. Apenas o despacho foi negativo. Houve indeferimento.
Vezes muitas acontece, porém, que a resposta vem, mas demora. Pode demorar anos. Pode demorar a vida inteira, aparecendo depois da morte.
Um pai orava muito pela conversão dos filhos, que eram três. Estes viviam uma vida solta. Em conflito aberto com a ética do pai, de moral inflexível. De conduta exemplar. Até que o velho morreu. Foi quando um dos filhos, vendo vazia a cadeira diante da qual o pai orava de joelhos por ele, comoveu-se até as lágrimas e se converteu ali mesmo. Emocionados os outros pela repentina mudança do irmão, abriram com ele o coração para a entrada da graça.
Eis aí uma oração que vale como um exemplo de como a resposta de Deus pode demorar. Mas por que demorará ele tanto, se pode responder logo? Não sabemos. Mas uma coisa é certa: um longo tempo de espera pode ser a melhor resposta a uma oração. Esperar pelo Senhor faz bem. Desenvolve a fé. Aumenta a nossa confiança em Deus. Enrijece a nossa têmpera — as grandes árvores não se fazem do dia para a noite.
Seja como for, vale a pena secar a garganta. Orando.


Pastor Rubens Lopes (1914-1979)
https://pastorrubenslopes.

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