A figura central da parábola chamada “Filho Pródigo” na verdade é o Pai (Lc. 15.11-32). Na mente de Jesus, o foco é o Pai. Deus é o Pai amoroso que permite nossas decisões, mesmo que impliquem um afastamento dEle. Somos responsáveis pelas nossas escolhas e esta verdade está lá na criação do homem e em toda a Bíblia. Adão e Eva, tentados pelo maligno, decidiram desobedecer ao Senhor. Deus deu a capacidade ao homem de tomar decisões. Neste contexto, gostaria de considerar a liderança do pai diante da devassidão do filho mais novo e do legalismo do filho mais velho, considerando como modelo o nosso Pai celestial.


O líder do lar reparte com os filhos a herança de maneira justa (v. 12)
De acordo com a tradição judaica, o filho mais velho tinha 2/3 da herança, enquanto o mais novo 1/3. Deus é o nosso modelo de Pai e é perfeitamente justo. O salmista diz: “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos e benigno em todas as suas obras” (Sl145.17). O pai agiu conforme o que era estabelecido. O líder em  casa precisa ser justo à semelhança do seu Senhor. O pedido do filho mais novo era o seu direito. O líder do lar reconhece os direitos dos seus membros. É aquele que respeita as decisões do filho, mesmo que não concorde com ele. A função do líder em casa é alertar, disciplinar em amor, fazer considerações, exortar e tentar demover o filho de uma decisão  que pode lhe causar prejuízos sérios e, muitas vezes, irreparáveis. O líder da família deve ser sempre justo no repartir os haveres da casa. No trato com os filhos. Justo no amor repartido.
O líder do lar é comprometido com as pessoas (v. 17)
Ao se lembrar do pai, o filho reconhece nele um homem justo e zeloso com as pessoas que trabalham na casa. Ele se lembra do pai como alguém que não deixa faltar nada para a família. No seu momento de aflição, de fome e de solidão, o filho tem na mente a abundância que há na casa do pai porque a natureza do pai é uma natureza pródiga. Há fartura de amor no coração do pai e, consequentemente, abundância de carinho, de pão, de alimento. Ele recorda a maneira tão amorosa com a qual o pai o tratava. Lembra-se do colo do pai.  Das histórias do povo de Deus que o pai contava. Ele sabia que nada falta àqueles que estão sob a guarda do pai, na casa do pai. Ele é provedor e protetor. O pai é farto em amor.  O pai é comprometido com o bem-estar da família. É sensível às necessidades dos filhos e dos demais que estão na casa.
O líder do lar é cheio de amor e compaixão (vv. 20-24)
O filho sabia do coração compassivo do pai. Ele sabia que o pai era um homem perdoador. Um coração amoroso perdoa. O pai, quando avistou o filho ainda longe, tomou a decisão e partiu cheio de amor em sua direção. A iniciativa foi do pai. Mesmo enfrentando a desobediência e a ingratidão do filho nunca deixou de amá-lo. Beijou o filho. Foi o beijo do perdão e da aceitação. O beijo da hospitalidade no coração e na casa. O beijo da restauração. Da reconciliação. O pai como líder da família tem este sentimento. A natureza do pai é amor. É o pai amoroso que atrai o filho. “O amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O amor que jamais acaba” (1 Co 13.4-8). Ele deve ser pródigo em amar à semelhança de Deus, o Pai-Modelo. O lar cristão é um lugar de esperança. Um lugar de cura. O pai recebeu a confissão do filho (v. 21). O coração amoroso perdoa incondicionalmente. Restaura o filho perdido no filho achado. O filho morto no filho vivo. O filho distanciado no filho próximo. O filho rebelde é elevado à condição de filho obediente (v. 22). Ele se arrependeu amargamente. Agora é a festa da volta. É a festa da reconciliação. O pai, num rasgo de felicidade, diz: “Comamos e regozijamo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se” (vv. 23b-24).
O líder do lar é conciliador (vv. 25-32)
O filho mais velho não aceita a volta do irmão. O pai, agora, além de ter sofrido com a ruptura do filho mais novo, enfrenta a rejeição e incompreensão do mais velho. Este não aceita a volta do irmão e a recepção empreendida pelo pai. O pai utiliza os recursos do filho mais velho para fazer a festa. Ele tinha este direito. A fonte do dinheiro era o pai. Mas o líder do lar deve ser essencialmente conciliador. No amor há conciliação. Há harmonia e sintonia. Empatia e simpatia. Onde há amor a inimizade não prospera. O filho mais velho é tomado pela indignação e pela rejeição violentas. Diz o texto que o pai procurava conciliá-lo exaustivamente, fazendo-o entender que o coração amoroso perdoa e dá banquete. É o coração aberto, os braços abertos e as portas da casa abertas. A festa do coração (interna) produz a festa para as pessoas (externa). O líder no lar enfrenta incompreensão, insatisfação e falta de amor. A Bíblia não esconde de nós lares que tiveram problemas de inimizade. A rejeição veemente do filho mais velho é tratada pelo pai quando este diz: “Meu filho, tu estás sempre comigo, tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (vv. 31, 32). O pai amoroso ama o filho desobediente e o filho legalista. O seu amor trata os dois porque ambos são desobedientes. Um desobediente porque saiu de casa, e o outro rebelde dentro de casa. Não era uma questão de geografia, mas do coração.
Como nos ensina Paulo: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, e aroma suave” (Ef 5.1,2). Como pais, sejamos líderes no lar agindo com profundo amor à semelhança de Deus, nosso Pai. O coração amoroso do Pai rejeita o pecado do filho, mas ama o filho pecador e trabalha em oração, na dependência de Deus Pai, para a sua recuperação. Que Deus seja glorificado na liderança amorosa dos pais no lar.

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